O Cansaço já era
visível nos peregrinos, mas todos tiveram uma alvorada ainda de noite... mas
fizeram tanto barulho que também acabei por acordar, não conseguindo adormecer
mais. Tínhamos nesta etapa o mais difícil do caminho para percorrer, era pouco
em quilómetros mas muito a nível de exigência.
O sol
ainda não tinha nascido...
O Hugo
ainda não tinha acordado... E a Isabel já a aprontar partidas ;)
Lá consegui tirar o Hugo da cama antes das 7 h
da manhã e começamos a preparar tudo para subirmos a Labruja, ou seja para a
Bruxa, como dizia a Sra. do Café Hamburgo, onde tomamos o nosso pequeno-almoço.
Era o único café aberto às 7 da manhã e ficava mesmo do lado do Albergue.
O início do caminho até foi suave, mas já
começamos a empurrar as bikes bastante cedo, pois o terreno era bastante
acidentado. Conseguimos ganhar algum tempo e reencontramos outros peregrinos. A
Ticha avisava sempre a nossa chegada, ficou bastante famosa.
A
famosa Tisha que foi adorada por todos os peregrinos.
Nesta etapa
vimos coisas maravilhosas, uma cascata no meio do arvoredo, animais soltos no
meio da vila, na falta de água, bastava pedir aos habitantes, eles davam-nos
água. Mas fontes não faltavam no caminho, e a água era boa, apesar de ter tido
algumas reservas em bebê-la.
Nesta etapa encontramos muitas dificuldades, foi sem dúvida a etapa mais difícil do caminho. Tivemos que subir e descer a Labruja, ou como a senhora do Café Hamburgo nos contou, a "Bruxa".
A etapa começou relativamente bem, mas logo começou a subir, levamos umas 5 horas a subir a serra, no meio da mata, ouvíamos sons estranhos, pinhas a estalar, animais invisíveis ao nosso olho no meio do mato, ou seja ouvíamos o som do mato que desconhecíamos. O cheiro e o ar puro enchia-nos os pulmões que gritavam por fôlego.
Muitas vezes parávamos para descansar e recompor das subidas íngremes. Os peregrinos que fizeram o caminho a pé passaram-nos todos à frente, a verdade também era que tínhamos que empurrar a bicicleta carregada, ladeira a cima.
Antes de chegarmos à cruz dos franceses, levamos quase uma hora a passar um desfiladeiro onde tivemos que desmontar tudo de cima das bicicletas, tivemos que passar saco a saco, bike a bike, um puxava e o outro empurrava, só assim conseguimos chegar a esta cruz cheia de oferendas. Disseram-nos que chegando aqui, o mais difícil tinha passado, mas na verdade não foi assim, vejam na foto, ainda foi a subir muito tempo.
Quando chegamos ao pico da Labruja tivemos direito a esta maravilhosa vista panorâmica. O sentimento era, estou no alto de Portugal, cheguei aqui com muita força e desespero, mas cheguei. Este lugar é mágico e guarda histórias de sacrifício de todos os peregrinos que por aqui passaram. Mas é esse o espírito do caminho de Santiago.
Quem disse que as descidas são mais fáceis, até chegar a esta cruz, ainda tivemos que levar a bicicleta às costas, mas a partir daqui pudemos pedalar um pouco.
Depois de descermos a montanha demos com um "restaurante" improvisado nas traseiras de uma casa, onde comemos as melhores bifanas do mundo. Ok, talvez tivesse sido o desespero e a fome que nos fez sentir assim.
Chegamos a Rubiães com muitas dificuldades e não foi fácil dar com o Albergue, estava bastante mal assinalado, o segredo é mesmo seguir sempre as setas e vão dar com o Albergue, não pensem que ficou para trás, passam mesmo na porta das traseiras do Albergue de Rubiães. Este Albergue é o mais simples de todos os que conhecemos, também não pudemos reclamar, só custou 3 Euros.
Vem só como ficaram as nossas pernas depois desta etapa, era muita poeira, percurso quase todo feito sobre pedra, terra, raízes e muito pouca estrada alcatroada.
Esta é
a vista do Albergue ao por do sol. Era um silêncio só.
Esta etapa foi um puro trabalho de equipa, sem
o Hugo não teria conseguido chegar ao fim. O desespero foi por vezes enorme,
por saber que ninguém me encontraria naquela serra, eu tive que continuar, mas
a vontade de desistir foi imensa. Entre gritos e palavrões fui subindo. Tenho
que admitir que ai, recuperei algo perdido, a paciência e a força interior.
Quando chegamos ao abrigo, lavamos a roupa,
tomamos o nosso banho e fomos para um dos dois cafés da vila, foi bom ficar na
conversa com outros peregrinos, conhecer outras pessoas, visto que chegamos
mais cedo que o normal (pelas 15h).
Finalmente fomos para o abrigo descansar... Tomamos a nossa "bomba" para termos uma noite tranquila e ganharmos forças para o próximo dia que tínhamos um logo caminho à nossa frente.
Finalmente fomos para o abrigo descansar... Tomamos a nossa "bomba" para termos uma noite tranquila e ganharmos forças para o próximo dia que tínhamos um logo caminho à nossa frente.

Sem comentários:
Enviar um comentário